(Levava uma vida sossegada ... )
Pesadelo
Eu ando muito perturbada. Não sou o que a maioria das pessoas chama de "normal", sempre soube disto, mas hoje... acho que estou mais atacada...
Eu tive um pesadelo, foi tão real...
Eu sonhei que perdi um dos dentes, um incisivo superior. Acordei (no sonho) sentindo o dente mole e ao olhar no espelho, ele caiuuu! Eu fiquei sem um denteeeee!!! Corri, e nenhum dos meus amigos dentistas podia me atender. Nunca conseguia completar uma ligação telefônica. Passei momentos de desespero e fiquei desdentada. E é claro, tinha que encontrar com um monte de gente que ria de mim...
Até aí, pode rir. Sonho, é sonho...
Mas, ao acordar realmente, fui ao espelho verificar. Ufa! Tudo em ordem. Mas o pesadelo minou a minha segurança.
E se eu ficasse sem dentes? Já não basta este diastema corrigido à custa de aparelho, e reincidente, que, ao aparecer em fotos comuns, parece mais uma grande cárie em meu sorriso?
Caramba, hoje não consigo rir para ninguém! Estou cismada e achando que todos estão olhando minha boca...
Como pode ser isto? Derrubada por um simples pesadelo?
É... Existem pedrinhas que podem destruir toda uma muralha...
(Aaahhh...Mas eu sei pegar todas elas e quebrar os espelhos... É só me recompor e voltar a ser a velha Claudinha de sempre! Rsrs...)
A música deste post é : Ovelha Negra - Rita Lee - A música que mais canto e que muito tem a ver comigo... Ainda mais com este toque final, que faz ferver o sangue espanhol...
( E minhas asas que podem ter as cores da alma... Like a rose, under the april snow...)
Ver e Enxergar
Uma das coisas que estou aprendendo sempre, à duras penas, é a ver as coisas como elas realmente o são. Não como eu gostaria que fossem.
Sempre andei às voltas com um complexo ou outro de adolescente, fui vencendo um a um. Como esta fase é difícil... Mais ainda é entender que nada, e ninguém, é do jeito que gostaríamos que fosse. Acho que poucas pessoas conseguem entender isto. E, mesmo entendendo, não querem que seja...
A difícil tarefa está em enxergar com os olhos da alma. É ter a consciência que somos parte de algo muito maior. E, sendo parte, temos que entender que não somos o centro do universo.
É difícil aceitar nossos defeitos, nossas limitações. É difícil reconhecer quando falhamos. É fácil ver os erros alheios. É fácil para quem está analisando.
Eu, hoje, opto pela sabedoria do silêncio. Sim, eu me calo. Não vou apontar os erros. Me ensinaram que apontar é feio... Vou deixar que os erros alheios se mostrem por si mesmos. Vou cuidar dos meus próprios erros, que já são tantos.
Vou aproveitar as chuvas finas que trazem os aromas da primavera e deixar que as flores de minha alegria desabrochem de novo! Vou manter meu sorriso sempre aberto para brindar os amigos e vou aprender, cada dia mais, a ver e enxergar a essência de cada um...
Adubarei meus jardins com os estercos deixados pelos pobres de espírito. Plantarei cada vez mais flores e atrairei muito mais borboletas. Elas cuidarão da beleza e da polinização dos meus jardins. Usarei as pedras, que me forem atiradas, para desenhar as cercanias deles. Farei desenhos maravilhosos e, finalmente, saberei que
tudo é do jeito que tem que ser...
A música deste post é : Evergreen - Barbra Streisand
(Em se tratando de vida, a música da minha vida... Será que algum dia, serei capaz de esquecer?)
Cabeça Aberta (Clipada e Fechada) Para Balanço
Quatro anos... Eu voltei para casa, para minha vida, para meus filhos. Lentamente pude retomar a autonomia, e ver o mundo com olhos mais limpos.
A fotografia, que representa minha vitória, ainda mostra a franja semicortada, o cabelo crescendo novamente...
Pude manter praticamente todo meu cabelo. Saí da cirurgia sem saber do futuro e, de tudo, só ficaram as cicatrizes.
Cicatrizes? Ninguém as vê, e só as da alma me incomodam...
Juntamente com a primavera, pude me comover com um raio de sol que bateu em meu braço. Foram tantos dias e noites sem noção de nada... O céu! Meu Deus eu podia ver o céu!!!
E as pessoas?
Vi, primeiramente, o sorriso do meu amor. Ele vinha me buscar. De volta para casa, para a família.
Na chegada, a emoção dos filhos pequenos. Um mês sem vê-los, sem tocá-los, sem ouvi-los...A emoção da família...
Eu pude rever flores, abraçar amigos, receber conforto, descobrir que era borboleta e que minha esperança era amarela. Eu pude decobrir que a fé e que Deus são maiores, que lutar é imprescindível. Que a luz própria, tem brilho em intensidade proporcional ao amor no coração e isto ninguém pode copiar ou tirar de nós...
Hoje, quatro anos depois, como estou?
Sinto-me forte, apesar das investidas da vida. Sofro, caio, levanto. Tenho com quem contar, com quem ir ver vaga-lumes, com quem fazer viagens de ventania e encontrar com as estrelas... E isto é muitíssimo importante!
Apesar de tanta coisa para desanimar, estou aí. Resolvendo um problema de cada vez. Tentando encontrar serenidade e lógica, num mundo de futilidades e armadilhas.
Agradeço à Deus , todos os dias, pelas chances todas que me deu. E olha, que foram muitas...
A música deste post é : Clube da esquina II - Lô Borges